Esse trecho do livro, em algumas partes fala sobre O Legado. Então leiam o post abaixo antes sobre O Legado.
O Legado.
O legado Mayfair é um conjunto de disposições legais que organiza a herança da família. A cada geração uma mulher é designada beneficiária do legado. Ela é a bruxa da família, que herda o dinheiro, os poderes sobrenaturais e também um colar com a famosa esmeralda Mayfair. Os outros membros da família, inclusive os homens, também são beneficiados, mas a beneficiária herda a parte principal da fortuna. E tudo é condicionado a Lasher: como diz Mary Beth Mayfair, “quem vê o homem leva tudo”, ou seja, aquela a quem Lasher se apresenta, ainda na infância, é escolhida como beneficiária.
Continuação...
Nesses primeiros anos a própia Mary Beth parece ter despertado pouca inimizade em desconhecidos. Nem mesmo seus detratores chegaram a descrevê-la como perversa ou cruel, embora ela fosse muito criticada por sua atitude fria, sistemática, insensivel aos sentimentos alheios e masculinizada.
No entanto apesar de toda a sua altura e força, Mary Beth não era masculinizada. Grande quantidade de pessoas a descreveu como sensual, e ocasionalmente ela foi considerada linda. Inúmeras fotografias confirmam as descrições. Ela, vestida de homem, causava uma bela impressão, especialmente naqueles primeiros tempos. Mais de um membro do Talamasca observou que,enquanto Stella, Antha e Deirde Mayfair - sua filha, neta e bisneta respectivamente - eram delicadas mulheres do tipo de beldade sulina. Mary beth apresentava uma profunda semelhança com as surpreendentes estrelas do cinema americano que vieram depois dela, divas como Ava Gardner e Joan Crawford. Mary beth também revelava uma forte semelhança, em fotografias, com Jenny Churchill.
Os cabelos de Mary Beth permaneceram totalmente negros até sua morte, aos cinquenta e quatro anos de idade. Não sabemos sua altura exata, mas podemos supor que chegasse perto de um metro e oitenta. Nunca foi uma mulher pesadona, mas tinha ossos grandes e era muito forte. Caminhava com passos largos. O câncer que a matou só foi descoberto seis meses antes de sua morte, e ela continuou sendo uma mulher "atraente"até as semanas finais, quando afinal se recolheu ao seu quarto para não mais sair.
Não pode haver, porém, a menor dúvida quanto ao fato de Mary Beth ter tido pouquissimo interesse por sua beleza fisica.Embora sempre se arrumasse bem, e às vezes surpreendesse num vestido de baile e estola de peles, ninguém jamais descreveu como sedutora. Na realidade, os que a chamavam de pouco feminina detinham-se a descrever seus modos diretos e bruscos e sua aparente indiferença aos seus consideráveis dotes físicos.
Vale ressaltar que quase todas essas características - a franqueza, a atitude eficiente, a honestidade e a frieza - foram mais tarde associadas à sua filha Carlotta Mayfair, que não é e nunca foi beneficirária do legado.
Quem gostava de Mary Beth fazia bons negócios com ela e elogiava por ser uma pessoa prática e generosa, incapaz de mesquinhez. Quem não se dava bem com ela a considerava insensível e desumana. É esse também o caso com Carlotta Mayfair.
Os interesses comerciais de Mary Beth e seu apetite para o prazer serão tratados em detalhe posteriormente. Basta aqui dizer que, nos primeiros tempos, ela determinou o que acontecia na casa de First Street tanto quanto Julien, jantares em família, foram totalmente planejados por ela, e ela convenceu Julien a fazer sua último viagem à Europa em 1896, época em que os dois passearam pelas capitais desde Madri a Londres.
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Até que ponto os poderes ocultos de Mary Beth facilitaram a realização dos seus objetivos é uma pergunta muito significativa. Existe uma variedade de provas que nos ajudam a embasar uma série de suposições acerca do que acontecia nos bastidores.
Para os criados irlandeses que iam e vinha em First Street, ela sempre foi uma "bruxa" ou uma pessoa com poderes do vodu. No entanto, suas histórias divergem substancialmente de outros relatos que possuímos e devem ser considerados com alguma reserva.
Mesmo assim...
Os criados relatavam com frequência que Mary Beth descia até o French Quarter para consultar as especialistas em vodu e que possía no seu quarto um altar em que idolatrava o demônio. Diziam que Mary Beth sabia quando lhe contavam uma mentira, sabia onde a pessoa havia estado, sabia onde estava cada membro da família Mayfair, mesmo aqueles que haviam se transferido para o norte, e sabia a qualquer momento o que essas pessoas estavam fazendo. Diziam que Mary Beth não fazia nenhum esforço no sentido de manter isso em segredo.
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